15/05/2026

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Estudo da FIEA aponta setores estratégicos para Alagoas ampliar exportações com acordo Mercosul-União Europeia

Levantamento mostra crescimento da balança comercial alagoana com o bloco europeu, identifica oportunidades e alerta empresas para nova concorrência internacional


A Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) lançou o estudo “Acordo Mercosul-União Europeia: Panorama geral, impactos e oportunidades para o setor produtivo alagoano”. Elaborado pelo Observatório da Indústria, com apoio do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação, o levantamento detalha os impactos do acordo comercial firmado entre os dois blocos econômicos. O documento aponta oportunidades estratégicas para a indústria alagoana ampliar exportações, acessar novos mercados e fortalecer sua competitividade internacional.

Na avaliação do presidente da FIEA, José Carlos Lyra de Andrade, o estudo chega em um momento decisivo, em que as empresas alagoanas devem se preparar para um novo cenário econômico internacional. “Esse estudo é estratégico porque mostra, com dados concretos, onde estão as oportunidades para Alagoas crescer no mercado internacional. O acordo entre Mercosul e União Europeia abre portas importantes para os nossos produtos, mas também aumenta a concorrência dentro do próprio mercado brasileiro”, revelou. Por isso, acrescenta Lyra, a FIEA está atuando para apoiar as empresas alagoanas na preparação necessária para competir, inovar, ganhar produtividade e conquistar novos mercados com segurança e planejamento.

O gerente do Observatório da Indústria, Rafael Fragoso, destacou que o levantamento foi construído para atender tanto empresas já exportadoras quanto indústrias que ainda pretendem iniciar o processo de internacionalização. “O estudo mostra os impactos e as oportunidades para empresas que já exportam, mas também para aquelas que desejam acessar o mercado internacional pela primeira vez. Além disso, traz informações importantes sobre adaptação às novas condições competitivas que o acordo vai impor, principalmente, em áreas como adequação regulatória, certificações, planejamento tributário e inteligência comercial”, ressaltou.

Já a gerente do Centro Internacional de Negócios da FIEA, Dielze Mello, afirmou que o CIN vai atuar diretamente no suporte às empresas alagoanas interessadas em aproveitar os benefícios do acordo. “Para que o acordo da União Europeia com o Mercosul seja um verdadeiro motor de transformação econômica, é necessário que as empresas adotem uma estratégia de internacionalização, atuando em áreas como planejamento tributário, facilitação de comércio e ampliação das exportações com maior valor agregado. O CIN poderá apoiar os empresários desde a identificação das fases de desgravação tarifária até ações de capacitação, promoção comercial, rodadas de negócios e emissão do Certificado de Origem”, explicou.

Números

O estudo mostra que a União Europeia representa um mercado de US$ 19,4 trilhões em PIB nominal e foi responsável, em 2025, por uma corrente de comércio de US$ 100 bilhões com o Brasil, equivalente a 16% de todo o comércio exterior brasileiro. O bloco europeu também é o segundo principal parceiro comercial brasileiro.

Em Alagoas, os números indicam avanço nas relações comerciais com os países europeus. Em 2025, o estado exportou US$ 89,9 milhões para a União Europeia, crescimento de 13,56% em relação ao ano anterior. Já as importações somaram US$ 28,6 milhões, resultando em superávit de US$ 61,2 milhões na balança comercial alagoana com o bloco europeu. 

Os principais destinos das exportações alagoanas foram Espanha, Croácia e Portugal. A pauta exportadora é liderada pelo açúcar de cana, seguido por tabaco, cabos de fibra óptica e derivados do coco. Do lado das importações, os principais fornecedores europeus são Países Baixos, Itália e Alemanha, com destaque para fertilizantes, vinho e azeite de oliva.

Cenários

O acordo prevê redução ou eliminação gradual de tarifas para cerca de 95% das exportações brasileiras destinadas à União Europeia e deve atingir diretamente setores estratégicos da economia alagoana. Segundo o levantamento, 54% dos produtos brasileiros exportados para o bloco europeu terão desgravação tarifária imediata já com a entrada em vigor do acordo, prevista para 2026. 

O estudo identifica oportunidades imediatas e de médio prazo para segmentos como agroindústria sucroenergética, alimentos e bebidas, químicos, PVC, plásticos, couro, vestuário, mel, frutas, etanol, cachaça e máquinas industriais.

O açúcar aparece como um dos setores mais favorecidos. O acordo estabelece uma cota de 180 mil toneladas com tarifa zero para o Mercosul, cenário considerado estratégico para Alagoas, maior produtor nordestino do produto.

Outro destaque é o setor de alimentos e bebidas. O estudo aponta potencial de expansão para sucos de frutas, água de coco, óleo de coco e mel. No caso do mel natural, o acordo prevê cota de 45 mil toneladas com tarifa zero desde a entrada em vigor do tratado. O levantamento revela que Alagoas produziu 538,6 mil quilos de mel em 2024, mas exportou apenas 168 quilos em 2025 – apenas 0,03% da produção estadual. 

A pesquisa também chama atenção para o avanço da indústria de transformação alagoana. O setor de fabricação de produtos alimentícios alcançou R$ 8,66 bilhões em valor bruto de produção industrial em 2023, crescimento acumulado de 117,8% desde 2016.

Já a indústria química praticamente dobrou de tamanho no período, chegando a R$ 3,84 bilhões em produção industrial. O segmento de borracha e material plástico apresentou expansão ainda mais acelerada: crescimento acumulado de 275,2% entre 2016 e 2023, saltando de R$ 495 milhões para R$ 1,86 bilhão.

O levantamento destaca que produtos como PVC, embalagens plásticas, artefatos técnicos, tubos e conexões terão ganhos de competitividade com a redução tarifária prevista no acordo. O mesmo ocorre com couros, calçados, bolsas, mochilas, moda praia, moda fitness e bijuterias produzidas em Alagoas. 

O estudo completo está disponível aqui.